El periodista y escritor Óscar Montes reunió cinco conversaciones que sostuvo entre 2019 y 2025 con Abelardo De la Espriella en su nuevo libro Las outras rayas do tiga, que recorre la evolución del hoy presidente de Colombia: de un abogado penalista que descartaba aspirar a la Presidencia a candidato y mandatario.
La publicación se lanzará el 27 de octubre, a las 6:00 de la tarde, en el Hotel Movich.
A caricatura que motivou o livro
La idea del libro surgió, según explicó Montes, al observar la manera en que distintos sectores de Bogotá comenzaron a referirse a De la Espriella durante su carrera política: «el fantoche, o fililipim, o corroncho». Para el autor, esa representación dejaba por fuera aspectos importantes del pensamiento político del mandatario.
«Esase tratamento displicente e grosero que estava recebendo o então candidato Abelardo De la Espriella me levou a refletir sobre uma situação pessoal. Ei conhecer muito bien como funciona o modelo bogotano de caricaturizar as pessoas», contou o periodista.
A partir dessa reflexão, Montes retomou as entrevistas que havia feito no seu programa «A Lei de Montes», a primeira em 2019 e a última em 2025, e as editou e compactou «para que o país conhecesse não a caricatura mas a sua visão do país», explicou.
O compromisso regional
Um dos temas centrais do livro é a relação de De la Espriella com a Região Caribe e a sua defesa de uma maior participação das regiões nas decisões nacionais. «As outras listras do tigre são: o compromisso regional, o modelo de governança barranquillero», assinalou Montes.
Segundo o jornalista, nas entrevistas o presidente propõe a possibilidade de transferir para outras partes do país um modelo de administração que articule a gestão pública e a privada, tomando Barranquilla como referência.
Para explicar essa posição, Montes recordou uma frase da primeira entrevista que lhe concedeu: «É que eu sou regionalista. Eu sim acredito que os homens e as mulheres do Caribe podemos governar a Colômbia», relatou.
O autor vincula essa postura com a discussão histórica sobre o centralismo na Colômbia e a representação das regiões nos principais cargos do Estado. «Nós nos queixamos durante tantos anos de que nunca governamos, agora chegou um presidente autêntico do Caribe que diz: 'Bem, vamos governar desde o Caribe e desde as regiões, mas em particular desde o Caribe'. Esse desafio implica para nós, os homens e as mulheres do Caribe, fazer bem as coisas», afirmou.
De «não me incomoda» a «eu sou o tigre»
O livro também mostra como mudou a posição de De la Espriella diante de uma eventual candidatura presidencial. Em 2019, quando disse que «a Presidência da República não me incomoda», tinha, segundo Montes, a conv íncita íntima de que não pensava em ser candidato, muito menos presidente; nas conversações seguintes começou a contemplá-la, ainda que inicialmente condicionava a decisão à falta de outras figuras capazes de assumir a liderança que considerava necessária para o país.
A evolução fica resumida em duas frases: na primeira conversação, De la Espriella descartava a Presidência como uma prioridade; na última, por sua vez, sustentou: «Eu sou o tigre. Eu sou o tigre para a Colômbia».
Os personagens do livro
Para que as entrevistas não ficassem como conversações isoladas, Montes identificou vários personagens que aparecem de maneira recorrente nelas: Gustavo Petro, Iván Duque, Álvaro Uribe Vélez e Juan Manuel Santos, cujos governos, trajetórias e relações políticas fazem parte dos asuntos que atravessam o período recolhido na publicação.
O jornalista mencionou, por exemplo, a amizade de De la Espriella com Duque, com quem compartilhou estudos na Universidade Sergio Arboleda, além da influência política que atribui a Uribe e as referências a Petro e ao processo de paz impulsionado durante o governo de Santos.